Tecnologia nascida na UEPB garante água de qualidade a mais de 60 mil paraibanos

Written by on 8 de setembro de 2020

O dia ainda não amanheceu. É madrugada em Serra Rajada, povoado de Riachão do Bacarmarte, no Agreste paraibano. Faz frio. Mesmo no verão, as madrugadas são frias. Mas logo o tempo esquenta. As temperaturas aumentam no verão. A agricultora Maria Anunciada Mousinho de 50 anos, já está na estrada de terra com destino a um poço artesiano perfurado na localidade próxima da cidade. Maria vai em busca de água, transportada no lombo de um burro.

A rotina se repete pelo menos três vezes por semana, mesmo no tempo de pandemia. São quase dois quilômetros de viagem para buscar a água. Quando os primeiros raios de sol surgem, Maria já está de volta. Subindo e descendo ladeira puxando o burro, agora carregado com o bem mais precioso do nordestino. A água que ela traz em dois grandes baldes é usada para consumo humano e animal. No caminho, Maria encontra outros moradores e com outras Marias que sofrem com o mesmo drama e todos os dias também peregrinam em busca de água potável para sobreviver.

“Essa é uma luta antiga. O nosso sonho é um dia ter água nas torneiras. Mas faz muito tempo que esperamos ter água em casa. A seca aqui é longa. E sempre sofremos com a falta de água” revelou a agricultora.

A escassez de água é um problema que historicamente afeta os Nordestinos e, particularmente os paraibanos. As longas estiagens têm comprometido a agricultura, inviabilizado toda uma cadeia produtiva e, inevitavelmente, travado o desenvolvimento econômico do Estado.

A luta de Maria Anunciada é a mesma dos moradores dos assentamentos de Pedra Lavrada, Caraúbas, Cubati e São Vicente do Seridó e tantos outros nos lugares mais longínquos da Paraíba. Para ter acesso ao líquido, os agricultores precisam se deslocar para povoados próximos a fim de buscar a água em cacimbas e poços artesianos, imprópria para o consumo humano. Em tempos de seca rigorosa, mais de 1 milhão de paraibanos também dependem da água vinda através dos carros pipas. Só que nos últimos anos, essa realidade tem mudado. O emprego de novas tecnologias, nascida dentro das universidades públicas, e acessível a todos, tem favorecido os produtores, animado o homem do campo, e feito jorrar água cristalina abundante.

A dessalinização da água no Sertão, e Cariri, Curimataú e até Agreste já é uma realidade e uma alternativa em tempos de crise hídrica. O Sistema utilizado no Estado é de Dessalinização com membranas, um Sistema Simples, mas eficaz.

Uma das iniciativas foi desenvolvido pelo professor Francisco José Loureiro Marinho, do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais (CCAA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Câmpus II de Lagoa Seca. O especialista desenvolveu com estudantes de Agroecologia, um dessalinizador de baixo custo, a partir da captação de energia solar. O equipamento tira o sal da água através da evaporação. Tecnologia social que tem transformado a vida de agricultores paraibanos e impulsionado a economia local.

O projeto batizado de “Dessalinizador Solar para fornecer Água potável para as famílias da Zona Rural do Nordeste brasileiro”, beneficia cerca de cem famílias em cidades da Paraíba onde, historicamente os índices pluviométricos são considerados baixos, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado (Aesa).

Custando até R$ 1 mil para produzir o dessalinizador, o projeto implementou inicialmente 28 unidades em três assentamentos Belo Monte I, Belo Monte II, e Olho D’Água.

Por conta da aceitação, a equipe de pesquisadores comandada pelo professor Loureiro instalou novos equipamentos. Hoje, existem cerca de 100 dessalinizadores instalados na região. E um projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), prevê a instalação de mais 50 unidades na Zona Rural de Campina Grande, Junco do Seridó, Camalaú, Monteiro Santa Luzia e Pedra Lavrada.

“Os professores se sensibilizaram porque bebiam água mineral e os alunos água da torneira. Eles se uniram e pediram para instalar um equipamento que transforma água de baixa qualidade em água potável” destacou o professor.
Somente esse ano, mais 10 unidades foram construídas e entregues em Camalaú,, antes da pandemia, e agora serão construídos mais 20 no assentamento Pindurao em Camalaú.

O especialista que trabalha no curso de Agroecologia, conta que o equipamento de baixo custo, já se tornou uma tecnologia social, e tem mudado a realidade da região. O objetivo é ofertar água de qualidade para as famílias que convivem com a escassez de água.

O equipamento transforma água salobra em potável e foi produzido a partir de uma experiência envolvendo alunos do curso de Agroecologia e membros da Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (COONAP), no campus II da UEPB.

Ao PB Agora, o professor Francisco contou que o dessalinizador foi projetado a partir de um trabalho de construção participativa, envolvendo alunos e agricultores da região. A ideia surgiu diante da necessidade de facilitar o acesso à água potável para as famílias que vivem em regiões com escassez de água.

A iniciativa já mudou a realidade de comunidades como Pitmbeira, em Caraúbas, no Cariri paraibano. O produtor Reginaldo Bezerra de Lima, destacou que por conta dos intempéries climáticos, as populações do semiárido sempre dependeram dos carros pipas e das decisões políticas que tornam o programa incerto. A nova tecnologia é mais certa e segura, pois permite ao produtor criar o seu próprio sistema de armazenamento de água de qualidade para ser usada durante todo ono. A filha de Reginaldo, cursa Agroecologia na UEPB em tem levado os conhecimentos científicos para serem empregados na propriedade do pai.

“Essa tecnologia vem dá uma autonomia a nós que vivemos da agricultura familiar. Agora a gente pega uma água imprestável para o consumo humano e nem para os animais, e transformamos em água potável” disse.

Com a chegada da agroecologia, Reginaldo investiu na construção de hortas comunitárias, e agora produz o próprio alimento saudável e com água potável, além de resgatar a agropecuária, impulsionando assim, toda uma cadeia produtiva.

O presidente da Associação dos Assentados, Claudino Ferreira conta que antes da tecnologia chegar na região, os agricultores recorriam as cacimbas para pegar água, nem sempre apropriada para o consumo humano. Para ter acesso a água os produtores tinham que se deslocar até Seridó e transportar o produto em baldes. A água era limitada. Apenas dois baldes por cada família.

O professor Loureiro conta que boa parte dos poços perfurados na Paraíba tem um elevado nível de contaminação com sais. Para tornar a água acessível, o especialista em parceria com outros pesquisadores utilizou o que o nordestino tem em abundância: a irradiação solar.

“O projeto do dessalinizador solar, além fornecer água potável para agricultores de comunidades dispersas do semiárido, proporciona significativa economia de energia elétrica se for correlacionado à produção de água dessalinizada através de energia solar e através do processo de osmose reversa, além da redução de gases que provocam efeito estufa advindos dos caminhões que transportam água para as comunidades rurais”, destacou o professor Francisco Loureiro.

O professor credita à escassez da chuva na região o incentivo para criar o dessalinizador e fazer com que as famílias continuem sobrevivendo de suas terras, a partir de alternativas ecológicas e técnicas.

Ainda de acordo com ele, a procura pelo projeto tem sido grande por se tratar de um método simples, de baixo custo e manutenção. O desejo dele é transformar essa iniciativa em um projeto de política pública, igual aconteceu com a construção de cisternas.

O modelo do dessalinizador foi projetado em uma caixa construída com placas pré-moldadas de concreto, com uma cobertura de vidro, que possibilita a passagem da radiação solar.

Os processos de dessalinização e desinfecção da água, segundo o professor, ocorrem quando a alta temperatura no interior do dessalinizador provoca a evaporação da água, que entra em contato com a superfície resfriada e faz o condensamento, retirando os sais antes existentes.

O método também elimina bactérias que podem causar doenças. Cada unidade do dessalinizador produz um volume de água potável de 16 litros por dia.

“Atendemos comunidades em que os moradores eram obrigados a consumir água de poços artesianos com elevado nível de contaminação biológica e química (sais) e que traziam consequentes danos à saúde, ou eram obrigados a caminhar por horas para terem acesso à água potável. Estamos em uma região que chove muito pouco e a nossa luta é que essas famílias continuem sobrevivendo da sua terra. Nosso objetivo é fixar o homem do campo na sua terra com água boa, que atenda as suas necessidades”, declarou o professor.

Mudando a vida do homem do campo

Um dessalinizador solar de baixo custo de implantação e manutenção, com capacidade para produzir água potável sem uso de eletricidade e livre de produtos químicos, é alternativa para famílias do semiárido da Paraíba, que enfrentam longas estiagens e sofrem com escassez de água de boa qualidade.

“A ideia do dessalinizador parte do princípio de que vivemos no semiárido. Os poços que a gente perfura, quase em sua totalidade, têm água salobra, água salgada, o que não serve para o consumo humano. Então, desenvolvemos junto com a UEPB essa tecnologia para exatamente fazer com que essa água salgada se tornasse uma água ideal para o consumo humano”, contou Jonas Marques de Araújo Neto, presidente da cooperativa.

Segundo ele, o primeiro impacto que o dessalinizador gerou foi maior solidariedade ainda entre os agricultores. Isso porque um dessalinizador desse serve para quatro ou cinco famílias, não é uma questão individual. Dá uma média de 80 litros de água por dia, que é distribuída entre eles.

Tecnologia é diferente da usada em Israel – Em tempos pandemia do Covid-19 e de escassez de água em diversos Estados do Brasil, a solução para o problema poderia ser aproveitar a abundância da água do mar para o uso comum por meio da dessalinização.

Coordenador de um laboratório referência na região, o professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Kepler de França reafirmou que existem pesquisas brasileiras ao longo de anos que fazem o país dominar várias técnicas modernas de dessalinização. Kepler França observou que a tecnologia empregada em Israel é diferente do Brasil.

Na Palestina, segundo ele, os israelenses têm a concepção sistema se maior porte e utiliza a dessalinização da água do oceano. Mesmo assim, o especialista acredita que a tecnologia é viável para o Brasil, desde que haja planejamento, e emprego correto dos mecanismos disponíveis para garantir o acesso a água de qualidade para os sertanejos.

O coordenador do Programa Água Doce (PAD), Robi Tabolka, conhece a tecnologia de Israel, mas acha que o governo deve levar em conta diversos fatores para importar o modelo para o Brasil.

Israel segundo ele, tem características totalmente diferentes no Nordeste, a começar pela salinidade da água.

“Quanto mais sais, mais membranas necessárias para tornar a água potável, assim precisa de bombas de alta pressão maiores, tendo assim elevado consumo de energia”, observou.

O especialista lembra que o Nordeste tem variação nas características dos elementos constantes na água dos poços, variando de água com 500 ppm a 25.000 ppm. Os equipamentos que instalamos dessalinizam de 1.000 a 10.000 ppm”.

Outro agravante ainda segundo ele, é a variação das vazões dos poços, de 300 litros por hora a 30.000. Na Paraíba a maioria produz abaixo de 5 mil litros por hora, o que inviabiliza a possibilidade de instalar equipamentos com grande quantidade de membranas.

“Mas é viável sim. Dessalinização é extremamente importante para o interior do Nordeste – Região com água salobras/salinas, além de não ter chuvas bem distribuídas e na quantidade suficiente” destacou.

A Paraíba vai virar mar – Essa tecnologia originada a partir de pesquisas desenvolvidas pelas universidades públicas tem mudado a vida de milhares de paraibanos. Dados do Programa Água Doce mostram que o emprego da tecnologia é viável e não custa caro. Os investimentos são compensatórios e ajudam a transformar a vida dos paraibanos. Através deste Programa, existem 90 Sistema Simples 90 e 3 Sistemas Produtivos instalados no Estado distribuídos em 42 municípios do Agreste, Cariri, Curimatau e Seridó.

No momento, existem equipamentos montados e operando em todos esses sistemas, mais 92 estão operando com Acordo de Gestão Compartilhado assinado em 42 municípios. Essa tecnologia acessível aos agricultores, beneficia diretamente 7.348 famílias, e 26.845 pessoas, segundo dados atuais do PAD. Esses equipamentos funcionam com uma capacidade de produzir 62.000 litros de água potável por hora.

“É uma tecnologia viável que permite as pessoas pegar água diretamente nos sistemas” garantiu Robi Tabolka, coordenador do PAD na Paraíba.

A realidade no Sítio Mendonça, zona rural de Juazeirinho, mudou com a chegada da nova tecnologia. A produtora Maria da Silva, revelou que antes, os moradores bebiam água salobra, o que causava doenças nas crianças. A instalação dos dessalinizadores garantiu água de qualidade e melhora na qualidade de vida da população.

No Sítio Salgado em Taperoá, no Cariri do Estado, os moradores se animaram tanto que a novidade, que chegaram a fazer mutirão de limpeza no Sistema. Em Amparo, o equipamento também levou água de qualidade.

Robi Tabolka explica que a expansão desses sistemas é fruto do convênio com o Programa Água Doce celebrado em 2011, mas existem outros sistemas implantados por vários outros órgãos e entidades. No momento mais de 300 instituições buscam por água potável de qualidade, entre escolas, postos de saúde, hospitais, igrejas, associações e órgãos públicos ligados a Gestão Municipal, que levam para a distribuição consumo humano.

Somando todos os sistemas em funcionamento, o coordenador do PAD estima que atualmente, mais de 60 mil paraibanos bebem água jorrada do solo, e passados pelo processo de dessalinização.
Em relação ao sistema produtivo, ele observa que além da água potável, se houver condições adequadas, é implantado um Sistema que utiliza a água do Concentrado para produção de peixes.

Robi afirmou que a dessalinização é uma alternativa importante para beneficiar principalmente comunidades que não tem acesso a água. Para ele, “comunidades com 30 a 50 famílias dificilmente teriam acesso a água por adutora e um Sistema de Dessalinização atende perfeitamente a demanda.

“No Água Doce temos várias comunidades distantes mais de 20 km da sede municipal” observou.

O coordenador do Programa Água Doces, estima que atualmente existam cerca de 400 equipamentos em pleno funcionamento na Paraíba.

“É preciso que haja mais investimento por parte dos governantes. Temos estudos, tecnologia, e mão de obra qualificada, mas precisamos dos incentivos do governo federal” disse.

Uma das vantagens dos sistemas de dessalinização é o baixo custo, comparando com outros tipos de abastecimento. Considerando apenas os beneficiários diretos, o valor médio dos investimentos é de R$ 1.745,22 por família e R$ 477,70 por pessoa.

“Levando em consideração que o funcionamento desses Sistemas é de apenas 5 horas diárias e que as membranas durem em média 5 anos, mas com cuidados duram mais de 7 anos, o investimento por litro de água fica em 2 centavos com Sistemas de Dessalinização”, ilustrou Robi Tabolka.

Segundo ele, se colocar a contrapartida de energia e operador pagas pelas gestões municipais, mais filtro, reparos e limpeza química, a comunidade e Programa, o custo não passa de 5 centavos o litro.

A instalação dos equipamentos mudou a rotina dos agricutores da região. No sítio Serra da Gruta em Tenório, o agricultor José da Silva, agora tem agua de qualidade. Antes, ele dependia de água salobra pega em açudes e barreiro da região para sobreviver.

“Agora é outra realidade. Temos água boa e de qualidade” disse.
No Assentamento São Domingos em Cubati, seu Francisco de Oliveira, transporta em água em baldes através de uma carroça puxada por cavalo. A água é usada para lavar roupa, matar a sede dos animais e até para o consumo humano.

A Estação de Tratamento

Dentro da sala de aula do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental, os estudantes do 8 período assistem atentamente a aula ministrada pela professora Weruska Brasileiro Ferreira. Entre os estudantes, está  Karyna Steffane, de olho nos livros e pensamentos voltados para as comunidades rurais da Paraíba.

Os conhecimentos teóricos logo serão transformados em prática e ajudarão a levar água de qualidade a centenas de paraibanos. As técnicas repassadas pela professora Weruska são empregadas na construção da Estação de Tratamento de Água (ETA). A estação piloto de tratamento de água dentro da Universidade tem como objetivo desenvolver pesquisas voltadas à análise sobre a qualidade da água da região da Borborema. A iniciativa é fruto de uma parceria institucional entre a UEPB e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

A estação, avaliada em R$ 500 mil, possibilitará o desenvolvimento de técnicas de baixo custo para o tratamento de águas, sendo aplicadas inicialmente na reserva consumida pela própria Universidade, mas com possibilidades de indicar o melhor tratamento para os municípios que apresentam dificuldades em atender aos padrões de potabilidade.

“A Estação se torna inovadora porque utiliza diversas concepções de tratamento e para cada qualidade de água é necessário um tratamento específico. No novo laboratório tem sido possível definir qual tratamento é mais adequado para determinados tipos de água. Ou seja, se ela tem um nível elevado de cianobactérias, vamos dizer quais os tipos e quantidades de produtos químicos que serão utilizados para tratá-la”, explicou Weruska  que coordena o projeto “Dessalinização Autossustentável de Águas Salobras: produção de água potável com potencial para geração de renda e alimento no Semiárido da Paraíba”.

Funcionando duas vezes por semana como laboratório para os alunos do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da UEPB, a Estação permite aos graduandos a possibilidade de aplicar, na prática e em dimensões reais, os conhecimentos adquiridos em sala de aula.

Thiago Nóbrega, aluno de pós-graduação, ressalta a importância da estação na formação estudantil. “A prática fica mais viva na vida do aluno, sendo mais fácil entender o que é visto em sala de aula. Eu tive a possibilidade de conhecer uma estação durante minha graduação, mas tive que me deslocar e nem todos os colegas tiveram essa oportunidade. Agora todos poderão vivenciar isso”, disse.

“O foco da estação piloto é fazer análise detalhada que garanta a qualidade da água consumida pelos paraibanos. Teremos o tratamento convencional que consiste com a coagulação, floculação, decantação e filtração, mas, dependendo do resultado dessa avaliação, quanto menor for essa qualidade maior vai ser a complexidade do tratamento”, destacou a professora.

A construção da ETA é a segunda parte do projeto que foi iniciado há quase dois anos e que vem sendo desenvolvido a partir de estudos voltados à qualidade da água nas estações de tratamento existentes nas cidades de Esperança, Areia, Bananeiras, Lagoa Nova, Ingá, Itatuba e Campina Grande. A partir da consolidação desse novo espaço serão realizados estudos para o desenvolvimento de técnicas de tratamento de baixo custo para remover microrganismos patogênicos que são resistentes tratamento ao convencional.

A Estação conta com dois tanques de 10 mil litros cada, que fornecem água para o tratamento e operam numa vazão de 30 litros por minuto, com capacidade de executar tratamentos convencionais, filtração direta e dupla entre outros testes padrões.. Essa água passa por um misturador, onde é depositado o coagulante orgânico e segue para as unidades de floculação para que as impurezas se aglomerem e se separem da água. Após essa etapa, a água passa por um decantador vertical, filtros e chega ao reservatório praticamente limpa.

Segundo ela, há substâncias de naturezas variadas capazes de dissolver-se na água e, por isso, é necessário entender qual o tipo de água e assim designar um tratamento específico para remover determinadas impurezas.

– O propósito da Estação de Tratamento é, além de tratar a água, fazer isto a custo baixo e com alta eficiência (até mesmo na remoção de substâncias difíceis de serem eliminadas através dos tratamentos convencionais) – afirma weruska.

Ela alertou que o tratamento da água, frequentemente, tem execução errada. A preocupação maior, segundo a professora, é com a vazão que atende o local de abastecimento do que uma preocupação com a qualidade da água. Por isso o projeto se faz importante, afinal, desenvolve critérios rigorosos para cada tipo de tratamento.

Professora Weruska também é responsável pelo projeto “Água, saúde e educação”, que visa garantir a preservação da qualidade das águas dessalinizadas distribuídas nas comunidades rurais do semiárido da Paraíba. O projeto tem como objetivo o desenvolvimento de um programa de orientação em comunidades difusas do semiárido paraibano para a preservação da qualidade da água dessalinizada após armazenamento nas residências, a fim de reduzir os índices de doenças, e permitindo uma melhor convivência com os problemas de escassez hídrica, evitando o êxodo rural no semiárido da Paraíba.

– Para a estação funcionar, nós a alimentamos através da água bruta. Ou seja, se existe um interesse em estudar determinado manancial, nós abastecemos o caminhão-pipa e trazemos para a estação – explicou.

Algumas ações do projeto foram desenvolvidas na cidade de Boa Vista e, no momento, está atuando no município de Juazeirinho. O foco da iniciativa é fornecer orientação em comunidades para estimular a conscientização da importância do uso do rejeito oriundo da dessalinização em atividades produtivas rurais, possibilitando geração de renda e alimento para as comunidades, promovendo o desenvolvimento e a sustentabilidade regional.

A estudante Karyna Steffane com seu aprendizado em sala de aula se interessou pelo tema água o que fez ela participar de um engenhoso projeto que resultou na criação de um dessalinizador de baixo custo. com a finalidade de ajudar famílias que moram em localidades que registram longos períodos de estiagem e onde não existe água encanada. Os itens para produção do produto custam até R$ 300. O projeto é orientado pelo professor Carlos Antônio Pereira.

O equipamento é feito com materiais simples como madeira, vidro e uma placa de calor. Ele é rápido e prático de se montar e pode ser feito por qualquer pessoa.

Moradores da zona rural de Pocinhos, no Agreste paraibano, já usam o equipamento, que é capaz de deixar a água potável.

A ferramenta trata, em média, 8 litros de água por dia. A quantidade é suficiente para atender demanda de uma casa. O grupo de pesquisadores avalia ainda a possibilidade de produzir outros modelos de dessalinizadores, no mesmo sistema, também focados no baixo custo.

A utilização do sistema também é simples. “Primeiro se coloca a água salobra aqui no recipiente, e aí se abre a torneira que vai medir a vazão. A água vai ser inserida no dessalinizador e escoar pela placa absorvedora e então, com a incidência da radiação solar, ao atingir certa temperatura, ela vai evaporar e dessa forma vai ser extraída a água dessalinizada”, explicou a engenheira sanitarista e integrante da pesquisa, Yohanna Vilar.

Karyna Steffane disse que por conta da pandemia do Covid-19, o projeto foi redimensionado, mas não parou de funcionar. A equipe está aproveitando esse período para fazer ajustes e avançar nas pesquisas. Eles tem desenvolvidos artigos e feito revisões bibliográficas para que ao retorno das atividades presenciais, implantarem de vez o projeto nas comunidades e aperfeiçoar aos modelos já desenvolvidos

“Iniciativas como essa vão servir para fornecer água e garantir uma qualidade de vida melhor para essas comunidades.  Esses dessalinizadores vão levar conforto as famílias que serão beneficiadas por eles” destacou.

 

Fonte: PB Agora


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