Fundação abre escola para crianças transgênero

Written by on 24 de janeiro de 2019

Durante sua infância como uma menina transgênero no Chile, Angela sentia tanto desespero para escapar ao abuso físico e verbal dos demais estudantes de sua escola primária que ela pensou em tirar a própria vida. “Eu só queria morrer”, disse a adolescente, agora com 16 anos. “Não queria existir, porque o que eles fizeram comigo me fez sentir muito mal.”

Depois de anos de discriminação, Angela e mais cerca de 20 outras crianças de adolescentes transgêneros de 6 a 17 anos encontraram esperança na primeira escola da América Latina para crianças trans.

A instituição, fundada pela Fundação Selenna, que protege seus direitos no Chile, é um marco em um país que era tão socialmente conservador que legalizou o divórcio apenas em 2004.

Nos últimos anos, as famílias das crianças trans têm exigido maior aceitação, um chamado que levou à aprovação de uma lei que permite que pessoas com mais de 14 anos possam mudar seus nomes e gêneros em documentos oficiais, desde que tenham o consentimento de pais ou responsáveis.

Segundo os atividades e pais de crianças transgênero, essa é a idade da adolescência em que as crianças descobrem que seu gênero não correspondem com seu corpo.

Nova escola

A escola da fundação foi batizada de Amaranta Gomez em homenagem a uma travesti mexicana que hoje é uma das principais ativistas trans no país.

Ela foi aberta em 2017 como uma maneira de ajudar as famílias das crianças trans, que frequentemente faltam às aulas e até deixam de concluir os estudos por causa da discriminação, afirmou Evelyn Silva, presidente da Fundação Selenna.

As aulas tiveram início em abril de 2018 em um espaço emprestado por um centro comunitário em Santiago do Chile. Elas incluem matemática, ciências, história e inglês, além de oficinas de arte e fotografia.

A escola abriu com cinco estudantes, mas esse número saltou para 22 em dezembro, e outros seis já estão matriculados para o ano letivo que começa em 2019. Há duas turmas multisseriadas, e os estudantes são divididos entre elas com base em sua idade.

“Gosto daqui porque existem muitas outras crianças como eu”, disse Alexis, um aluno de seis anos que também afirmou ter sofrido bullying constante em sua escola anterior.

Professores voluntários

Os professores atuam de forma voluntária, mas todas as demais despesas do primeiro ano letivo foram financiadas por Silva e Ximena Maturana, a coordenadora da escola. A partir de março, as famílias deverão pagar cerca de R$ 30 por mês de mensalidade.

“Tentamos reduzir os custos ao mínimo (para as famílias) para que eles não possam dizer que (as crianças) não estão frequentando porque não têm lápis, e isso se torne uma razão para sair da escola”, afirmou Silva.

 

G1


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