Estudo detecta fungos acima do permitido em amostras de ar hospitalar na PB

Written by on 22 de maio de 2020

Uma quantidade elevada de micro-organismos patogênicos, como bactérias e fungos, em ambientes refrigerados é um indicador de baixa qualidade do ar. O pesquisador Hermano Zenaide Neto, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), identificou diversos gêneros fúngicos, alguns deles prejudiciais à saúde, em amostras de ar dos ambientes internos de um hospital da rede privada, em João Pessoa, na Paraíba.

Conforme explica o pesquisador na dissertação intitulada “Qualidade e controle microbiológico em hospital na Paraíba”, as amostras de ar indicaram que 12 das 23 salas observadas estavam com uma densidade fúngica acima do limite aceitável pela norma nacional vigente, usada como referência pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A quantidade de espécies foi medida pela contagem das unidades formadoras de colônia por metro cúbico (UFC/m³) em cada placa. Obtendo esse número, foi possível calcular a razão da quantidade de fungos encontrados no ambiente interno em relação ao ambiente externo”, explica o pesquisador. Dos gêneros fúngicos identificados, os mais prevalentes foram Penicillium (40%), Aspergillus (7%), Monilia (6%) e alguns gêneros leveduriformes.

Hermano Zenaide Neto destaca que a maior concentração de fungos no ar foi registrada nas salas da ala de obstetrícia, chegando a 688 UFC/m³ e uma razão de 5,7 em relação ao ambiente externo. O local que apresentou o menor número foi o centro de materiais de esterilização, com 43 UFC/m³ e razão 0,4. O limite permitido para a razão é de até 1,5.

Segundo o pesquisador da UFPB, é de grande interesse à saúde pública minimizar o risco das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), especialmente as provenientes de quartos de internação e de salas de cirurgia. De acordo com Hermano Zenaide Neto, o saneamento dos sistemas de refrigeração deve ser realizado adequadamente e com produtos eficientes, capazes de manter reduzidos os níveis de infecção hospitalar.

Sobre os riscos para a saúde, segundo o autor do estudo, dos gêneros encontrados em maior quantidade, o fungo Penicillium pode desencadear reações alérgicas em conjunto com outros micro-organismos, enquanto o Aspergillus agrava a condição de pacientes asmáticos e pode causar fibrose cística, sarcoidose (doença inflamatória) e aspergilose invasiva ou aspergilose pulmonar crônica em imunocomprometidos ou com doenças respiratórias, provocando pneumonia e formação de bolas de fungos nos pulmões.

Leveduras também foram encontradas e estão relacionadas a infecções sistêmicas em pacientes com HIV e câncer. O controle desses parâmetros também pode prevenir problemas de saúde físicos e psicométricos para os profissionais de saúde a longo prazo, além de contribuir na diminuição do impacto econômico das internações hospitalares.

Esterilização ineficaz

O estudo também verificou a eficácia do desinfetante utilizado na limpeza dos sistemas de ar condicionado nesses ambientes. Foi realizado experimento in vitro com o desinfetante Thilex® frente a micro-organismos comuns no ambiente hospitalar, avaliando-se a atividade antimicrobiana, concentração e tempo de ação.

Para a análise do ar em locais refrigerados no hospital, foi utilizado um kit impactador de bioaerosol com capacidade de reter esporos fúngicos e algumas bactérias em placas de cultura, visando quantificar e caracterizar possíveis patógenos.

O teste antimicrobiano indicou que o produto usado na limpeza dos aparelhos, o Thilex®, foi eficaz contra Klebsiella sp., Escherichia coli e Candida albicans, enquanto Pseudomonas aeruginosaStaphylococcus aureusBacillus sp. e Aspergillus sp. apresentaram resistência a concentrações baixas do produto. “Isso reforça que os padrões de uso definidos no rótulo devem ser seguidos corretamente”, destaca o pesquisador.

Os resultados do estudo indicam urgência no desenvolvimento de políticas públicas mais efetivas para a redução dos riscos aos pacientes expostos à baixa qualidade do ar nos hospitais.

Hermano Zenaide Neto lembra que, desde 2009, existe o Plano Nacional de Qualidade do Ar (PNQA), que visa proteger o meio ambiente e a saúde humana dos efeitos da contaminação atmosférica, por meio da implantação de uma política contínua e integrada de gestão da qualidade do ar no país. “É de extrema importância que essas políticas públicas possam ser aplicadas e estendidas para os ambientes hospitalares”, adverte.

O autor da pesquisa ressalta a importância do controle microbiológico para evitar infecções e afirma que é preciso utilizar produtos indicados exclusivamente para a limpeza desses sistemas, geralmente compostos por ácido fluorídrico e tensoativos aniônicos, evitando-se produtos saneantes comuns e para uso geral, pois podem ser menos eficazes.

“Através da remoção de biomassa por agentes físicos e químicos, evitando a contaminação de materiais de limpeza e com uma prática educativa de higienização correta, é possível reduzir significativamente os níveis de infecção hospitalar”, afirma.

De acordo com ele, os comitês de controle sanitário dos hospitais devem adotar ações de monitoramento ambiental de indicadores biológicos, aderir aos protocolos de manutenção dos sistemas de ar condicionado, fazer o gerenciamento adequado da admissão e tempo de visita dos pacientes e adotar filtros HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance), uma tecnologia empregada em filtros de ar com alta eficiência na separação de partículas, para proteção dos pacientes imunocomprometidos em centros cirúrgicos.

Assessoria


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