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Audiências de instrução sobre desvio no Hospital Padre Zé ocorrerão em maio

Será realizada no dia 20 de maio, no Fórum Criminal de João Pessoa, a primeira audiência de instrução relativa à operação Indignos, que desarticulou um esquema de desvio de recursos no Hospital Padre Zé e resultou na prisão do então diretor da unidade, o Padre Egídio Carvalho, e duas funcionárias, Jannyne Dantas e Amanda Duarte.

No dia 27 de maio, em um outra audiência, o Padre Egídio, a ex-funcionária Amanda Duarte e um empresário serão ouvidos sobre suposta fraude na compra de computadores.

A Justiça limitou em 16 no número de testemunhas, já que a defesa de Egídio Carvalho havia indicado 35 pessoas para serem ouvidas na audiência de instrução.

Entenda

Deflagrada em outubro do ano pasado, a Operação Indignus é mais um capítulo sobre a suspeita de desvios milionários de recursos da Associação Social Arquidiocesana, mantenedor do Hospital Padre Zé, em João Pessoa. Os crimes vêm sendo investigados desde o mês passado quando se tornou público o escândalo envolvendo a venda de telefones doados pela Receita Federal. O lucro com a venda, ao invés de serem revertidos para obra, foi parar em contas de terceiros.

O que chama a atenção dos investigadores é o uso do clamor social para enriquecimento ilícito. É o que destacou em entrevista à reportagem da Rede Mais, o coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Octávio Paulo Neto.

“O escopo da operação se volta a tentar aclarar os desvios no Hospital Padre Zé e na Associação Social Arquidiocesana. Uma coisa que espanta é a apropriação de pautas legítimas de alto relevo social por pessoas que buscam se monetizar, que se apropriam dessas bandeiras para explorar miseráveis para ter com isso vantagens financeiras das mais vultuosas”, disse Neto.

Para o promotor, essa é uma atitude que “choca”.

“É bem triste e preocupante”

Paulo Neto afirmou que houve por parte da nova direção do Hospital Padre Zé, liderada pelo Padre George Batista, e do arcebispo Dom Manoel Delson uma cooperação para que o inquérito pudesse ser aprofundado.

Imóveis milionários de Padre Egídio

Na operação de hoje, encabeçada pelo Ministério Público da Paraíba, o principal alvo foi o Padre Egídio Carvalho, ex-diretor do Padre Zé, além de duas ex-diretoras da instituição. As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados ao Padre, a exemplo de imóveis luxuosos, como coberturas em prédios de alto padrão nas orlas do Cabo Branco e Bessa.

 

Cobertura de luxo em João Pessoa é apontada como de propriedade do Padre Egídio Carvalho (Foto: Albemar Santos/Portal MaisPB)

Um dos imóveis que mais chama a atenção da investigação é um apartamento no Luxor Paulo Miranda, à beira-mar do Cabo Branco. Uma unidade habitacional no conjunto é avaliada em cerca de R$ 2 milhões.

 

Prédio Luxor Paulo Miranda, onde Padre Egídio tem um apartamento

Houve busca também na Granja Santo Antônio, no Conde, onde foram encontrados diversos bens valiosos, a exemplo de um fogão no valor R$ 80 mil. Rodeadas de imagens sacras, a propriedade também é espaço para móveis rústicos e caros.

Para a investigação, todo esse patrimônio, apesar de não estar no nome do Padre Egídio, pertence ao religioso. Em nota divulgada mais cedo, o Gaeco disse que há uma confusão patrimonial entre os bens e valores de propriedade das referidas pessoas jurídicas com o religioso.

“Foi constatada uma considerável relação de imóveis atribuídos, aparentemente sem forma lícita de custeio, quase todos de elevado padrão, adornados e reformados com produtos de excelentes marcas de valores agregados altos”, diz o texto.

Entre os crimes apurados pela Operação Indignus estão os delitos de organização criminosa, lavagem de capitais, peculato e falsificação de documentos públicos e privados.

A defesa do Padre diz que Egídio está em Recife e à disposição do Ministério Público para esclarecer as denúncias.

Estopim para crise 

A crise no entorno do Hospital Padre Zé teve início com a prisão de Samuel Segundo, pessoa de confiança do Padre Egídio. Ele é acusado de furtar iPhones doados pela Receita Federal para instituição e vender os aparelhos. Apenas nesse gancho da investigação a Polícia Civil aponta um desvio de pelo menos R$ 500 mil.

Segundo o inquérito, que o Portal MaisPB teve acesso, a listagem de itens furtados no interior da sala do Padre Egídio aponta que os produtos furtados relacionados às doações feitas ao Hospital Padre Zé são avaliados em R$ 250.055,04 (duzentos e cinquenta mil, cinquenta e cinco reais e quatro centavos). No tocante aos itens furtados da Ação Social Arquidiocesana, perfaz o total de R$ 275.822,73 (duzentos e setenta e cinco mil, oitocentos e vinte e dois reais e setenta e três centavos).

No início da semana, a Justiça determinou o bloqueio das contas e a quebra do sigilo bancário de Samuel. Com a autorização judicial, a Polícia e o Ministério Público querem avançar nas investigações para saber para onde teria ido o dinheiro.

Igreja contribui para as investigações 

Desde os primeiros momentos da investigação, a Arquidiocese da Paraíba tem tomado medidas para contribuir com a Força-Tarefa. Inicialmente, a Igreja anunciou o afastamento do Padre Egídio da direção do Hospital por meio de renúncia.

Alvo central as investigações, Egídio foi proibido pelo arcebispo Dom Manoel Delson de celebrar sacramentos, a exemplo de missas e casamentos.

‘Saqueado’, Hospital Padre Zé ficou com as contas no vermelho

Resgatar a dignidade do Hospital Padre Zé e respeitar os princípios fundamentais do pároco que deu nome à instituição. Essa é a missão que o padre George Batista, novo diretor da unidade, pretende mirar. Há uma semana no cargo, ele admitiu em entrevista ao Programa Hora H, da Rede Mais Rádios, que, antes de trilhar esse caminho, será preciso ter a consciência do que, de fato, aconteceu nas finanças da entidade.

Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (3), a nova direção confirmou uma grande quantidade de dívidas que podem impedir o funcionamento do hospital.  “A situação financeira do hospital é delicada. Não adianta esconder. Nós estamos ainda fazendo um levantamento mais apurado. Tivemos acesso às contas sexta-feira, da semana passada, e ontem, porque existe um prazo para contabilizar tudo, de quatro a cinco dias. Eu creio que nos próximos dias, nós vamos reunir mais informações para ter mais propriedade para poder dizer: ‘a situação é essa’”, revelou.

 

Fonte: MaisPB

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